sábado, 10 de agosto de 2013

Encerramento das Festas de São Lourenço, em Canal Caveira

São Lourenço Diácono e Mártir 10 de Agosto

"Louvamos teu martírio, Lourenço, Santo irmão, pedindo que da igreja escutes a oração." (Liturgia das horas).

No livro dos Actos dos Apóstolos, no capítulo 6, vemos a preocupação dos mesmos quanto ao crescimento do número dos discípulos, convocaram uma reunião e expuseram suas angústias, dizendo: "Não é razoável que abandonemos a palavra de Deus para administrar." (Servir as mesas) pois muitos dos discípulos gregos queixavam-se que suas viúvas, estavam sendo esquecidas e negligenciadas pelos hebreus. 


Foram escolhidos entre os irmãos, homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, para administrar o cuidado com os pobres, órfãos e viúvas. Ou seja o tesouro precioso, do Senhor. Estes homens foram chamados de Diáconos. O patrono dos Diáconos Astro de primeira grandeza, brilha o nome de São Lourenço no firmamento da Igreja Primitiva. O nome Lourenço é o mesmo que Laureamtenens, querendo dizer "Coroa feita de Louro", como a que antigamente os vencedores recebiam após suas vitórias. Lourenço obteve a vitória em sua paixão. Assim como o Pé de louro, ou seja suas folhas servem para dissolver cálculos, curar infecções dos ouvidos e evitar raios, Lourenço quebra o coração endurecido, devolve a audição espiritual e protege os condenados de injustas sentenças. 

O Diácono Lourenço, de Origem espanhola, foi levado a Roma pelo bem-aventurado Sixto II, em Roma nosso Diácono foi incumbido de administrar os bens da Igreja e socorrer os pobres que eram mantidos pela mesma. O cruel Imperador Valeriano, determinou uma acirrada perseguição à Igreja, seus bispos, sacerdotes e diáconos, e uma das primeiras vítimas foi o Papa Sixto II, este sofreu o martírio em 258. Lourenço acompanhou-o até o lugar do suplício, e com os olhos marejados de lágrimas disse-lhe: "Meu pai, para onde vás sem vosso filho? Para onde o Santo Padre, sem o vosso diácono? Jamais oferecestes o sacrifício, sem que eu vos acolitasse? Em que vos desagradei? Encontrastes em mim alguma infidelidade?" O Papa, comovido com estas palavras de dedicação filial, respondeu: "Não te abandono, meu filho! Deus reservou-te provação maior e vitória mais brilhante, pois és jovem e forte; velhice e fraqueza fazem com que tenham pena de mim; daqui a três dias me seguirás." Tendo assim falado, deu ao jovem diácono instruções sobre os tesouros da Igreja, aconselhando que os repartisse entre os pobres. 

Lourenço atento à solicitação do Santo Padre, procurou todos os pobres, viúvas e órfãos da Igreja e entre eles repartiu o dinheiro que havia. Objectos de outro, prata, como pedras preciosas, vasos sagrados de grande valor, tudo foi vendido e com o dinheiro sustentou os milhares de pobres da Igreja.

Quando o prefeito da cidade teve conhecimento dos grandes tesouros da Igreja e de que Lourenço era o administrador, mandou chamá-lo à sua presença e disse-lhe: "Nada de ti exijo, que não seja possível realizar. Soube que os vossos sacerdotes se servem em vasos de ouro e prata em vossas celebrações e que usais velas de cera, colocadas em castiçais de ouro. Soube, também, que vossa Igreja ordena dar a César o que é de César; trazei-me, pois, todos estes objectos, de que o imperador precisa." "É verdade, - replicou Lourenço, - a Igreja é rica, mais rica que o Imperador. Concedei-me o prazo necessário, e tudo será arranjado em tempo." O Prefeito supondo tratar-se de riquezas materiais deu-lhe de boa vontade o prazo de três dias. 

Lourenço correndo contra o tempo, foi ao encontro de todos os pobres, viúvas, órfãos, cegos, surdos, mudos, paralíticos, peregrinos e desamparados, para que no terceiro dia estivessem todos à porta da Igreja. No dia e hora marcados, todos em grande multidão, compareceram à porta da Igreja. 

Lourenço convidou o Prefeito para inspeccionar os tesouros da Igreja e apontou para a multidão reunida: "Eis os tesouros da Igreja: os míseros que levam com resignação a cruz de cada dia, carregam o ouro da virtude; são as almas predilectas do Senhor que valem muito mais que pedras preciosas." O Prefeito vendo-se enganado e iludido, cheio de ódio falou: "É assim que te atreves a ludibriar as Autoridades Reais Romanas? Miserável! Se o teu desejo é morrer, pois bem, hás-de morrer, mas uma morte longa e cruel." 

Deu a ordem para que Lourenço fosse cruelmente açoitado. Finalmente mandou que trouxessem uma grelha, que foi posta sobre brasas. O Santo foi despido e colocado sobre a grelha incandescente. Santo Ambrósio escreveu que o seu rosto brilhava como um fogo divino, e de seu corpo exalava um suave perfume que inebriava a todos. Lourenço demonstrava uma paz inigualável; seus lábios esboçavam um discreto sorriso; e com mansidão disse ao Juiz: "Se desejares, podeis dar ordem para que me virem, pois já estou bastante assado deste lado!" O Santo mártir rezava pela conversão de Roma, cidade eterna regada com o sangue dos apóstolos Pedro e Paulo. Seus últimos momentos foram de louvor e adoração; era o dia 10 de Agosto de 258. 

São Prudêncio era da opinião que a conversão de Roma, foi fruto do martírio de São Lourenço. São Leão assim expressou o seu martírio: "As chamas não puderam vencer a caridade de Cristo; e o fogo que queimava por fora foi mais fraco do que aquele que lhe ardia por dentro." Que o exemplo de São Lourenço nos inspire sempre a prática da caridade verdadeira e perfeita.



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